Varejistas mudam escala de trabalho no Brasil

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Publicado em 6 de outubro de 2026

Uma Nova Era de Trabalho no Brasil

Em um movimento que ganhou força nas redes sociais e agora se materializa dentro das empresas, o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil está em uma nova etapa. O plenário do Senado inicia a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na jornada de trabalho e estabelece dois dias de descanso por semana.

As Empresas que Mudaram a Escala de Trabalho

Do Varejo ao Luxo: Quem Já Largou o 6x1

Na prática, enquanto o futuro da escala 6x1 é discutido em Brasília, algumas companhias já começaram a se antecipar. O Grupo DPSP, dono das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, rompeu com o modelo tradicional ao adotar a escala 5x2 em todas as suas unidades. Dois dias de folga por semana passaram a ser regra, uma mudança relevante em um segmento que funciona sete dias por semana e depende de mão de obra intensiva.

Outra empresa que adotou a escala 5x2 é a H&M, que estreou no Brasil em agosto de 2025. Todos os seus funcionários trabalham na escala 5x2, com dois dias de folga por semana. “Acreditamos no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Queremos inspirar outras empresas a oferecerem mais tempo de qualidade para seus funcionários”, afirma Joaquim Pereira, presidente da H&M no Brasil.

Na hotelaria, o Palácio Tangará e o Copacabana Palace também abandonaram a escala 6x1. O Palácio Tangará anunciou a adoção do 5x2 para toda a operação, substituindo a antiga escala 6x1. A mudança representa um investimento anual superior a R$ 2 milhões e veio acompanhada da contratação de 27 novos funcionários para manter o padrão de atendimento.

As Empresas que Testam a Escala 4x3

Enquanto o debate legislativo avança, algumas empresas decidiram ir além do 5x2 e testar, na prática, a escala 4x3. Uma delas é a AngloGold Ashanti, que iniciou um projeto-piloto com cerca de 500 funcionários administrativos em Minas Gerais. “Não cortamos salários nem benefícios. Mantemos o modelo híbrido e medimos trabalho por entrega, não por horas”, diz Felipe Fagundes, vice-presidente de RH.

A Vockan, empresa de tecnologia, também adotou a semana de quatro dias há dois anos. Desde então, segundo a companhia, registrou aumento de 32% na produtividade, crescimento de 86% no faturamento, rotatividade próxima de zero e NPS de 98. “Foi uma resposta direta à saúde mental e à atração de talentos”, diz Fabrício Oliveira, CEO da empresa.

A NR-1 e a Saúde Mental no Trabalho

A discussão sobre a escala 6x1 acontece em um momento em que as empresas enfrentam uma combinação de desafios: novas expectativas dos profissionais, preocupação crescente com saúde mental, disputa por talentos e necessidade de manter a produtividade. Outro componente dessa discussão é a NR-1, que ampliou a atenção das empresas para os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

“A NR-1 é, hoje, uma resposta de socorro para um cenário de adoecimento coletivo, principalmente ligado à saúde mental”, afirma Yara Leal Girasole, advogada trabalhista e sócia do PK Advogados. Segundo ela, o aumento expressivo dos afastamentos por ansiedade, depressão e burnout pressionou o poder público a ampliar a visão sobre segurança no trabalho, antes concentrada principalmente nos acidentes físicos.

O Futuro da Escala 6x1 no Brasil

Com a discussão chegando ao plenário do Senado e empresas de diferentes setores experimentando novas escalas, a pergunta que começou nas redes sociais ganha uma dimensão maior: o Brasil está caminhando para o fim da escala 6x1?

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