Empresas Brasileiras e a Incerteza sobre Uso de IA
As empresas brasileiras estão incorporando a inteligência artificial (IA) em suas rotinas de trabalho sem necessariamente definir como a tecnologia deve ser usada. De acordo com uma pesquisa realizada pela SAP em parceria com a Oxford Economics, 82% das organizações do país recorrem a ferramentas de IA de terceiros sem aprovação formal, prática conhecida como shadow AI.
Um Problema Mais Profundo
A IA na Rotina das Empresas
As empresas brasileiras estão adotando a IA de forma desorganizada, com 26% das tarefas apoiadas pela tecnologia e apenas 18% das empresas dizendo adotar a tecnologia de forma integrada. O modelo mais comum é o de projetos isolados, citado por 48% das empresas.
Um Problema de Definição
As empresas não definiram quais ferramentas usar, para quais tarefas, com quais dados e dentro de quais processos. Sem essa definição, cada profissional acelera o próprio pedaço do trabalho, sem transformar o processo como um todo.
Consequências do Uso Desorganizado da IA
Perda de Conhecimento e Produtividade
Quando os funcionários usam ferramentas de IA sem aprovação formal, parte do conhecimento e da produtividade podem ser perdidos com a saída de um funcionário. Isso ocorre porque os agentes e as automações ficam em contas pessoais, sem estar documentado nem ligado à infraestrutura da empresa.
Risco de Vazamento de Dados
As empresas brasileiras ouvidas relataram que 43% já tiveram vazamento de dados ou de propriedade intelectual ligado ao uso dessas ferramentas, 32% citaram vulnerabilidades de segurança e 31%, violações de compliance.
Um Caminho para a Melhoria
Redesenhar o Trabalho com IA
Para Juliana Velozo, vice-presidente sênior para a América Latina da Thoughtworks, o próximo passo é redesenhar o trabalho com IA. A produtividade que conta é a da empresa, e ela depende do fluxo inteiro andar no mesmo ritmo.
Reunir TI e Negócio
Juliana atribui parte da dispersão a uma lacuna de letramento. Os profissionais usam IA em tarefas cada vez mais variadas, mas muitas empresas não definiram o que pode ser feito, que informações podem ser compartilhadas, quais ferramentas estão autorizadas e quando a IA de fato agrega valor ao trabalho.
Um Caminho para a Maturidade
As empresas mais maduras começam a concentrar agentes, modelos e fluxos de IA num mesmo ambiente corporativo, desenvolvido em casa ou contratado de fornecedores. A estrutura permite definir autorizações, acompanhar acessos e consumo e saber o que cada área está criando.
Conclusões
As empresas brasileiras precisam definir como a IA deve ser usada e criar um ambiente corporativo para gerenciar a tecnologia. A produtividade que conta é a da empresa, e ela depende do fluxo inteiro andar no mesmo ritmo.