Um novo horizonte de trabalho: como a Finlândia e a Noruega mudam a cultura profissional
Em um país onde o trabalho é visto como uma parte da vida, não é incomum que as pessoas encerrem o expediente entre 15h e 16h. É assim que funciona a rotina dos escritórios na Finlândia e na Noruega, onde a cultura profissional valoriza o tempo livre, a família e a qualidade de vida.
Um país onde a cresce fecha cedo: a experiência da Noruega
Camilla Wirtti, agente administrativa de 41 anos, trocou o Brasil pela Noruega em 2007 e descobriu uma cultura de trabalho que coloca o tempo livre, a família e a qualidade de vida no mesmo patamar da produtividade. Ela afirma que no trabalho, não é incomum que as pessoas encerrem o expediente entre 15h e 16h. Isso faz uma diferença enorme na rotina das famílias.
Um sistema desenhado para a vida pessoal e profissional
Enquanto no Brasil Raquel saía do escritório às 18h30 para buscar as filhas na creche, na Noruega praticamente todas as famílias encerram o expediente muito mais cedo. As creches normalmente fecham às 16h30. Isso faz com que praticamente todo mundo saia do trabalho entre 15h30 e 16h, afirma Raquel Fernandes Batista Araújo, vice-presidente global de Comunicação, Marketing e Engajamento da Scatec.
Finlândia: o país mais feliz do mundo
Após mais de duas décadas de experiência e idas e vindas entre Brasil, Canadá e Europa, a designer brasileira Jane Vita voltou a Helsinque pela terceira vez, agora com três filhos e uma nova leitura sobre o que significa qualidade de vida. Ela afirma que vivencio uma cultura forte de work-life balance. Existe um respeito genuíno pelo tempo pessoal, o que permite maior comprometimento com a vida fora do trabalho, o que impacta diretamente o bem-estar.
Uma mudança cultural e legislativa é necessária
Luciana Veloso Baruki, advogada, médica e auditora fiscal do trabalho há 17 anos, afirma que a discussão sobre a jornada vai além de uma simples alteração na legislação. Os exemplos globais deixam claro que o futuro do trabalho depende de uma mudança cultural e legislativa, que priorize o bem-estar dos trabalhadores sem comprometer, claro, a competitividade econômica.
Experiências internacionais que inspiram mudanças
Além da Finlândia e da Noruega, outros países têm experimentado formatos de trabalho que vão além da tradicional jornada de cinco dias. A Islândia realizou experimentos de redução da jornada semanal, sem diminuição salarial, envolvendo trabalhadores de diferentes setores. Os resultados apontaram melhora no bem-estar, redução do estresse e manutenção ou crescimento da produtividade em diversos ambientes de trabalho.
Um futuro do trabalho que prioriza a saúde mental e o desempenho
Luciana Veloso Baruki afirma que esses países oferecem uma visão de como o futuro do trabalho pode ser transformador, priorizando tanto a saúde mental quanto o desempenho. As experiências mostram que reduzir a jornada não significa necessariamente reduzir a produção.
Um desafio para a cultura corporativa
Enquanto parte da Europa avança em modelos mais flexíveis, países asiáticos enfrentam desafios relacionados ao excesso de horas trabalhadas. Na China, o chamado modelo 996, caracterizado pelo expediente das 9h às 21h, seis dias por semana, tornou-se símbolo de jornadas excessivas, especialmente no setor de tecnologia.
Uma mudança cultural e legislativa é necessária
Luciana Veloso Baruki afirma que os exemplos globais deixam claro que o futuro do trabalho depende de uma mudança cultural e legislativa, que priorize o bem-estar dos trabalhadores sem comprometer, claro, a competitividade econômica.