Por que os gerentes não chegam à diretoria
É uma cena familiar para Tais Targa, diretora executiva da TTarga, com mais de três décadas de experiência em Recursos Humanos. Mês após mês, um gerente experiente chega à sua sala, com anos de serviço e metas alcançadas, mas sem a capacidade de se projetar para a diretoria.
Uma questão de narrativa
Segundo Tais, a chave para a promoção não está na entrega de resultados, mas na capacidade de construir uma narrativa convincente e sustentar-a com o próprio comportamento. O que decide a promoção é a narrativa construída pelo profissional e a capacidade de sustentá-la com o próprio comportamento, afirma.
Desconstruindo a ilusão
Tais conta que, quando entrou no LinkedIn em 2015, tinha uma visão romantizada do trabalho. Empresa boa, chefe bom, esforço recompensado era a sua expectativa. Mas, ao longo dos anos, a plataforma lhe mostrou uma realidade diferente: diretores demitidos por videochamada, gerentes que descobrem o próprio corte em grupos de WhatsApp.
O padrão da mudança
Para Tais, o padrão que mais a marcou é que a mudança desce: a alta liderança define o que é tolerado, cobrado e silenciado. Quando o diretor manda mensagem às onze da noite, nenhum treinamento de bem-estar sobrevive a isso, afirma.
Desafios para a promoção
Segundo Tais, o que muda a cada degrau é a pergunta que a empresa faz. Do gerente, ela quer saber se entregou; do diretor, para onde a companhia vai e com quem. Ele passa a ser cobrado pelo que decide, pelo que deixa de fazer e por quem coloca para fazer.
Construindo a narrativa
Tais destaca que a narrativa construída pelo profissional é fundamental para a promoção. O jeito que ele responde um e-mail às dez da noite vira norma, o que ele tolera numa reunião vira política, o que ele cala vira silêncio de toda a empresa, afirma.
Reinventando-se
Para Tais, a travessia para a diretoria começa no espelho. Parar de medir quem foi promovido e quem tem padrinho. As perguntas são outras: qual resultado não foi entregue e acabou atribuído ao contexto, qual conversa difícil foi adiada, afirma.
Visão de negócio
Tais considera que o MBA é válido para quem precisa entender o negócio inteiro. Visão de negócio, networking e repertório para a narrativa, com linguagem e casos que ajudam a sustentar uma opinião diante do CEO, afirma.
Travessia para a diretoria
Para Tais, a travessia para a diretoria é uma jornada de autoconhecimento e desenvolvimento. Não a técnica. A travessia, afirma. E acrescenta: O cargo vem depois, se vier. E se não vier, você ainda sai dessa travessia sendo um líder melhor do que entrou. Isso ninguém tira .