CEO ajuda a explicar fracassos de aquisições

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Publicado em 6 de novembro de 2026

Quando o otimismo se transforma em prejuízo

Em seu relato aos acionistas da Berkshire Hathaway, em 1981, Warren Buffett compartilhou uma lição valiosa sobre a psicologia dos negócios. Muitos líderes empresariais, escreveu ele, têm uma visão distorcida de si mesmos, acreditando que suas decisões são infalíveis. Isso os leva a pagar preços exorbitantes pelas empresas que compram, muitas vezes sem considerar as consequências.

Um problema antigo

Os números não mentem. As empresas gastam mais de US$ 2 trilhões por ano em aquisições, mas estudos mostram que a taxa de fracasso dessas operações é alarmante, variando entre 70% e 90%. A pesquisa acadêmica aponta que a confiança excessiva de quem decide comprar é um dos principais fatores responsáveis por esses fracassos.

Um estudo revelador

Em 2008, os economistas Ulrike Malmendier e Geoffrey Tate publicaram um estudo que investigou a relação entre a confiança dos CEOs e o sucesso das aquisições. Eles analisaram o comportamento financeiro pessoal dos CEOs e a forma como a imprensa os retratava, e descobriram que a chance de fazer uma aquisição era 65% maior entre os CEOs classificados como excessivamente confiantes.

Um efeito devastador

Quando os CEOs com excesso de confiança anunciavam as operações, a reação das ações era de queda de 90 pontos-base, contra 12 pontos-base entre os demais. O efeito era ainda mais forte quando a operação diversificava o negócio e não dependia de financiamento externo.

Um conselho atento

Para evitar esses erros, os conselhos devem adotar mecanismos que funcionem como contrapeso. Isso inclui definir o preço máximo antes da negociação, exigir avaliações independentes e designar um advogado do contraditório. Além disso, os conselhos devem revisar as aquisições passadas e comparar as premissas aprovadas com o que de fato aconteceu.

Um programa de formação

A Saint Paul Escola de Negócios oferece um programa de formação chamado SEER, que integra neurociência, governança e inteligência artificial. O programa dedica um módulo inteiro à tomada de decisão individual e colegiada, e visa ajudar os líderes a entender como vieses individuais contaminam decisões coletivas.

Um líder consciente

Para Maria Silvia Costa, executiva com passagens por Santander e BankBoston, liderar significa sustentar escolhas em ambientes de incerteza, equilibrando razão, intuição, cultura e impacto. Ela acredita que o beijo pode até ser do CEO, mas a responsabilidade pela escolha do sapo é de todos à mesa.

Um processo de admissão rigoroso

Para se tornar parte do SEER, os líderes devem passar por uma análise curricular e uma entrevista com a diretora Maria Silvia Costa. O programa reúne lideranças que respondem por decisões de alto impacto, e visa ajudá-las a tomar decisões mais informadas e responsáveis.

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