Um Caso de Fraude Contábil: Lições para a Governança Corporativa
Em janeiro de 2023, a Americanas anunciou a chegada de um novo CEO, mas logo em seguida, a empresa revelou a existência de inconsistências em lançamentos contábeis de cerca de R$ 20 bilhões na conta de fornecedores. Em julho de 2024, um comitê independente contratado pela própria empresa concluiu que as evidências confirmam a existência de fraude contábil . O caso ainda está em andamento, mas já é possível identificar as lições importantes para a governança corporativa.
Um Problema Bilionário Escondido
As demonstrações financeiras de uma empresa podem esconder problemas bilionários se ninguém fizer as perguntas certas. O caso da Americanas mostra que números aprovados trimestre após trimestre podem mascarar irregularidades significativas. Governança corporativa, ética e compliance são fundamentais para evitar esse tipo de situação.
Os Mecanismos Principais da Fraude
Segundo a Americanas, a investigação identificou três mecanismos principais da fraude: lançamentos indevidos na conta de fornecedores, contratos fictícios de verbas de propaganda cooperada (VPC) e operações de risco sacado registradas de forma incorreta no balanço. A Polícia Federal investiga uma fraude estimada em R$ 25, 3 bilhões.
Os Riscos Sacados
Os riscos sacados são operações comuns no varejo e na indústria, mas podem ser contabilizados de forma incorreta. Quando a operação aparece apenas como fornecedores, o balanço mostra uma dívida comercial onde, na prática, existe uma dívida financeira. A alavancagem parece menor do que é, e o caixa parece mais saudável.
Regras de Divulgação mais Rígidas
Depois do caso da Americanas, as regras de divulgação ficaram mais rígidas. Em 2023, o International Accounting Standards Board (IASB) aprovou novas exigências de transparência para esses acordos, as chamadas supplier finance arrangements. No Brasil, a CVM incorporou a mudança por meio da Resolução 197, com efeitos a partir de 2024.
Metas Agressivas e Controles Frágeis
As metas agressivas criam pressão para entregar números, e controles frágeis criam oportunidades para a fraude. O comitê de auditoria existe para fechar a segunda ponta, mas precisa de ceticismo profissional e acesso direto a auditores, área de controles internos e canais de denúncia.
Independência Formal Não Basta
A independência formal não basta. O comitê precisa de ceticismo profissional, ou seja, da disposição de questionar números que parecem bons demais, e de acesso direto a auditores, área de controles internos e canais de denúncia, sem passar pela diretoria.
Um Caso Não Brasileiro
Fraudes desse tipo não respeitam fronteiras nem setores. Em 2020, a alemã Wirecard, que integrava o principal índice da bolsa de Frankfurt, admitiu que € 1, 9 bilhão registrado em seu balanço provavelmente não existia.
Um Caso de Governança Falha
Quase quatro anos depois, o caso Americanas mostra que a governança se mede menos pela estrutura que a empresa tem e mais pelas perguntas que seus conselheiros fazem. O número mais perigoso de um balanço costuma ser aquele que ninguém questiona.
Um Programa de Finanças Estratégicas
Das demonstrações financeiras à gestão de riscos, o programa Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, da Saint Paul, reúne em oito módulos as competências esperadas de quem integra conselhos e comitês de auditoria.
- Modulo 1: Demonstrações Financeiras
- Modulo 2: Contabilidade e Controles Internos
- Modulo 3: Auditoria e Governança
- Modulo 4: Riscos e Compliance
- Modulo 5: Finanças e Investimentos
- Modulo 6: Planejamento e Orçamento
- Modulo 7: Gestão de Riscos e Crise
- Modulo 8: Comunicação e Relacionamento