Americanas revela falha nos lançamentos contábeis

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Publicado em 5 de novembro de 2026

Um Caso de Fraude Contábil: Lições para a Governança Corporativa

Em janeiro de 2023, a Americanas anunciou a chegada de um novo CEO, mas logo em seguida, a empresa revelou a existência de inconsistências em lançamentos contábeis de cerca de R$ 20 bilhões na conta de fornecedores. Em julho de 2024, um comitê independente contratado pela própria empresa concluiu que as evidências confirmam a existência de fraude contábil . O caso ainda está em andamento, mas já é possível identificar as lições importantes para a governança corporativa.

Um Problema Bilionário Escondido

As demonstrações financeiras de uma empresa podem esconder problemas bilionários se ninguém fizer as perguntas certas. O caso da Americanas mostra que números aprovados trimestre após trimestre podem mascarar irregularidades significativas. Governança corporativa, ética e compliance são fundamentais para evitar esse tipo de situação.

Os Mecanismos Principais da Fraude

Segundo a Americanas, a investigação identificou três mecanismos principais da fraude: lançamentos indevidos na conta de fornecedores, contratos fictícios de verbas de propaganda cooperada (VPC) e operações de risco sacado registradas de forma incorreta no balanço. A Polícia Federal investiga uma fraude estimada em R$ 25, 3 bilhões.

Os Riscos Sacados

Os riscos sacados são operações comuns no varejo e na indústria, mas podem ser contabilizados de forma incorreta. Quando a operação aparece apenas como fornecedores, o balanço mostra uma dívida comercial onde, na prática, existe uma dívida financeira. A alavancagem parece menor do que é, e o caixa parece mais saudável.

Regras de Divulgação mais Rígidas

Depois do caso da Americanas, as regras de divulgação ficaram mais rígidas. Em 2023, o International Accounting Standards Board (IASB) aprovou novas exigências de transparência para esses acordos, as chamadas supplier finance arrangements. No Brasil, a CVM incorporou a mudança por meio da Resolução 197, com efeitos a partir de 2024.

Metas Agressivas e Controles Frágeis

As metas agressivas criam pressão para entregar números, e controles frágeis criam oportunidades para a fraude. O comitê de auditoria existe para fechar a segunda ponta, mas precisa de ceticismo profissional e acesso direto a auditores, área de controles internos e canais de denúncia.

Independência Formal Não Basta

A independência formal não basta. O comitê precisa de ceticismo profissional, ou seja, da disposição de questionar números que parecem bons demais, e de acesso direto a auditores, área de controles internos e canais de denúncia, sem passar pela diretoria.

Um Caso Não Brasileiro

Fraudes desse tipo não respeitam fronteiras nem setores. Em 2020, a alemã Wirecard, que integrava o principal índice da bolsa de Frankfurt, admitiu que € 1, 9 bilhão registrado em seu balanço provavelmente não existia.

Um Caso de Governança Falha

Quase quatro anos depois, o caso Americanas mostra que a governança se mede menos pela estrutura que a empresa tem e mais pelas perguntas que seus conselheiros fazem. O número mais perigoso de um balanço costuma ser aquele que ninguém questiona.

Um Programa de Finanças Estratégicas

Das demonstrações financeiras à gestão de riscos, o programa Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, da Saint Paul, reúne em oito módulos as competências esperadas de quem integra conselhos e comitês de auditoria.

  • Modulo 1: Demonstrações Financeiras
  • Modulo 2: Contabilidade e Controles Internos
  • Modulo 3: Auditoria e Governança
  • Modulo 4: Riscos e Compliance
  • Modulo 5: Finanças e Investimentos
  • Modulo 6: Planejamento e Orçamento
  • Modulo 7: Gestão de Riscos e Crise
  • Modulo 8: Comunicação e Relacionamento

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