Empresas revelam o impacto das conselheiras preparadas
Um estudo recente publicado na revista acadêmica IIM Kozhikode Society & Management Review, da editora Sage, chama a atenção para a importância da formação das conselheiras em empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen. Os pesquisadores Isaiah Oino e Jonathan Liu analisaram dados de 2.260 companhias e encontraram uma correlação entre a escolaridade das conselheiras e o desempenho socioambiental das empresas.
Quais são os fatores que influenciam o desempenho socioambiental?
Os autores identificaram quatro variáveis que influenciam o desempenho socioambiental das empresas: o número de conselheiras, a proporção delas no colegiado, a idade média e o nível de escolaridade. A formação das conselheiras foi classificada em uma escala de 1 a 5, do ensino técnico ao doutorado.
Escolaridade pesa mais que o número de cadeiras
De acordo com o estudo, a escolaridade das conselheiras apareceu associada a um desempenho socioambiental melhor, com significância de 5%. O número absoluto de mulheres no board não mostrou efeito relevante, enquanto a proporção de conselheiras apontou na mesma direção positiva, mas com sinal estatístico mais fraco.
Idade média e composição do conselho
Os pesquisadores também encontraram uma relação negativa entre a idade média das conselheiras e o desempenho socioambiental. Concluiu-se que conselhos com conselheiras mais jovens tiveram notas um pouco melhores, o que leva os autores a defender uma composição que misture gerações.
Regra das três cadeiras e massa crítica
O estudo dialoga com uma linha de pesquisa que há quase duas décadas investiga o peso da chamada massa crítica. Em 2006, as pesquisadoras Alison Konrad, Vicki Kramer e Sumru Erkut entrevistaram 50 conselheiras e concluíram que uma mulher sozinha no conselho ainda pode contribuir, mas é a partir de três que elas deixam de ser vistas como exceção e passam a influenciar de fato as discussões.
Brasil ainda está abaixo da massa crítica
Segundo o Board Index 2025 da Spencer Stuart, as mulheres ocupam 18, 7% das cadeiras nos conselhos das maiores companhias abertas do país. Considerando só as titulares, o índice cai para 16, 6%. A legislação começou a pressionar esse número com a Lei 15.177, sancionada em julho de 2025, que obriga estatais e sociedades de economia mista a reservar 30% das vagas de seus conselhos para mulheres.
Demanda por conselheiras preparadas tende a crescer
Com a reserva de vagas nas estatais, a demanda por conselheiras preparadas tende a crescer. O estudo sugere que preencher a cota é só metade do trabalho. A outra metade é garantir que as conselheiras cheguem à mesa com formação para pesar nas decisões.
Preparando conselheiras para o futuro
Para atender à demanda por conselheiras preparadas, o programa ABP-W, da Exame Saint Paul, oferece uma formação especializada para executivas que se preparam para atuar em conselhos. O programa completa dez anos em 2026 e é uma referência no mercado para a preparação de conselheiras.