Empresas mudam estratégias de contratação em face da inteligência artificial
Com a popularização da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, as empresas estão enfrentando um desafio significativo ao contratar trabalhadores mais jovens para ocupar as ocupações mais expostas à tecnologia. De acordo com um estudo do Stanford Digital Economy Lab, o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos caiu 13% em relação a outros grupos desde a adoção da IA generativa nos Estados Unidos.
Uma mudança na rotina dos trabalhadores
Profissionais mais experientes nas mesmas funções ficaram estáveis ou cresceram, enquanto a queda se concentra onde a tecnologia substitui tarefas, e não onde complementa o trabalho humano. É justamente o tipo de rotina, repetitiva e operacional, que costumava servir de porta de entrada para quem começava a carreira.
As consequências da mudança
Se a régua de contratação sobe e só perfis seniores passam, quem vai ocupar as lideranças daqui a dez anos? A pergunta é pertinente, pois a falta de jovens talentos pode ter consequências a longo prazo para as empresas.
Um erro de visão
Para Lívia Kuga, cofundadora da Alia, parar de contratar talentos em formação é um erro de visão. A executiva argumenta que a falta de experiência, que antes pesava contra o júnior, pode facilitar a adoção de processos pensados desde o início com IA.
Do código à orquestração
A mudança aparece com mais nitidez nas carreiras técnicas. O perfil do desenvolvedor dedicado quase só a escrever e corrigir código perdeu espaço com a automação dessas etapas. O valor migrou para uma atuação orientada a produto, que pede visão de negócio, coordenação de ferramentas e relação com o cliente.
Uma nova lógica de trabalho
Augusto Frazão, CEO da InHire, resume a troca de prioridades. “A execução era o core da tarefa: era preciso escrever muito código, escrever muito texto. Agora vamos para uma lógica muito maior de julgamento, orquestração e relacionamento. Essas três skills são muito mais importantes do que a capacidade de executar em volume”, diz.
Um desafio para os recrutadores
David Pires, CIO e CPO da Zig, descreve a transformação na própria rotina. Programador há anos, ele conta que deixou de escrever código pessoalmente e passou a coordenar o trabalho feito pelas ferramentas, em paralelo com outras atividades.
Um ajuste necessário
Na avaliação dos executivos, muitas empresas já usam IA em etapas da seleção, mas poucas revisaram as descrições de cargo para incluir as competências que a tecnologia passou a exigir. Em casos extremos, candidatos são proibidos de usar ferramentas de IA em testes práticos para funções que vão exigir essas ferramentas o tempo todo.
Um ajuste para a vaga de 2024
Segundo o CEO da InHire, a maior parte das equipes atuais foi contratada sob premissas operacionais antigas, o que transfere para líderes e áreas de RH a tarefa de conduzir a requalificação interna. A pergunta antes de abrir a vaga é: o que essa pessoa vai fazer que um agente não faz e como é que a nossa seleção vai testar isso?