Preparação intensiva antes da ascensão ao conselho
Beatriz Alli, diretora de Recursos Humanos do Machado Meyer e conselheira do Instituto Machado Meyer, enfrentou uma decisão crucial antes de chegar ao escritório em 2019. Com uma gravidez em andamento, uma filha de três anos e uma mãe doente, ela sabia que precisaria se ausentar por um período mais longo do que a companhia poderia acomodar. Em uma decisão profissional conectada às prioridades pessoais daquele momento, ela coordenou a saída com o CEO e buscou no mercado alguém para assumir a posição, permitindo que ela cuidasse da mãe e da gravidez.
Um percurso de mais de duas décadas em gestão de pessoas
Da formação inicial à liderança de RH
Com mais de duas décadas de experiência em gestão de pessoas, Beatriz soma uma trajetória profissional marcada por desafios e lições aprendidas. Sua carreira começou em 2003, como trainee de treinamento e desenvolvimento na Accenture, onde ela chegou à coordenação de remuneração e gestão de performance. Em 2010, ela se transferiu para a Avanade, que iniciava a operação no Brasil, e coube a ela estruturar o RH local enquanto a empresa crescia de 70 para 540 funcionários.
Transformação da cultura e lições aprendidas
Na Avanade, ela liderou a transformação da cultura para fazer da companhia uma organização de tecnologia. Foi nessa época que ela tomou uma das decisões mais difíceis de sua carreira: contratou uma pessoa próxima, com quem já havia trabalhado, para se reportar diretamente a ela. Embora a relação profissional não tenha funcionado, a experiência ensinou a Beatriz uma lição que carregou por toda a carreira: nunca devemos contratar alguém que não seríamos capazes de desligar, caso fosse necessário.
Desafios e oportunidades no Machado Meyer
Planejamento sucessório e inteligência artificial
Como diretora de RH do Machado Meyer, Beatriz define a estratégia de pessoas junto ao Comitê de Pessoas e ao Conselho Executivo. Um dos projetos em curso é o planejamento sucessório dos sócios, que visa olhar para a sucessão com antecedência, combinando indicadores de negócio, a perspectiva das diferentes áreas e a visão de mercado para subsidiar as discussões do Conselho e o planejamento de longo prazo. Além disso, a área prepara uma iniciativa de reconhecimento para profissionais que desenvolvam soluções de IA ligadas a objetivos concretos de negócio.
Formação e rede de apoio
ABP-W e a comunidade de mulheres
Beatriz cursou o ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, programa da Saint Paul que prepara mulheres para atuar em conselhos de administração. A formação veio antes da cadeira, e ela buscou o programa para entender quais competências seriam exigidas caso decidisse ocupar uma posição em conselho e, a partir daí, criar oportunidades para desenvolvê-las. A comunidade do ABP-W, que completa dez anos, reúne mais de 600 mulheres e é o principal ativo do programa.
Conexão e apoio
Para Beatriz, a conexão entre as mulheres do ABP-W é fundamental. Sempre que encontra uma mulher que também passou pelo programa, a conexão acontece de forma quase imediata. O ABP-W cria um elo de confiança entre as mulheres, algo de que precisamos muito, talvez até mais do que percebemos.