Um Novo Modelo de Liderança para um Novo Tempo
Na noite de 30 de setembro, a Saint Paul Escola de Negócios, localizada na Consolação, região central de São Paulo, foi palco de um encontro fechado voltado para a Comunidade dos HIPs, com alunos e alumnis. Nessa ocasião, a psicanalista Maria Homem apresentou a tese de seu novo livro, Procura-se: uma nova liderança para um novo tempo, publicado pela Editora Record.
Um Modelo Obsoleto
De acordo com a psicanalista, o modelo de liderança atual já não é suficiente para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Isso é evidente no fato de que o engajamento dos gestores no mundo caiu de 27% para 22% em 2025, segundo o Gallup, e puxou o engajamento geral dos trabalhadores para 20%. Além disso, 70% da variação no engajamento de uma equipe está ligada a quem a lidera, o que é um indicador preocupante.
A Liderança como Competência Essencial
Por outro lado, 61% dos empregadores ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial apontam a liderança como competência essencial, um salto de 22 pontos em relação à pesquisa anterior. Isso mostra que o mercado exige mais liderança justamente quando quem lidera dá sinais de esgotamento.
A Necessidade de uma Nova Liderança
Segundo Maria Homem, pesquisadora da USP e professora visitante em Harvard, a saída passa por reconhecer que a liderança é uma construção coletiva. Toda época produz o tipo de liderança que consegue imaginar, afirma. Ela também defende que a potência chegou antes da maturidade simbólica e que a leitura dela é que criamos ferramentas mais depressa do que conseguimos entender suas consequências.
Da Obelisco ao Labirinto
Para ilustrar seu ponto de vista, Maria Homem percorreu milênios de história para mostrar de onde vem o chefe que só manda. Obeliscos, catedrais e tronos traduzem um modelo hierárquico, baseado em força e certeza, em que o poder vinha do alto. No entanto, o racionalismo e a Revolução Francesa abalaram essa lógica ao dar a cada indivíduo liberdade e responsabilidade pelas próprias escolhas.
A Consciência da Vulnerabilidade
Segundo Maria Homem, o preço da dúvida é alto e que o líder tem consciência da força de suas vulnerabilidades? Dentro e fora da bolha, a psicanalista defende o exercício de entrar e sair da própria bolha para enxergar a posição do outro, seja na empresa, seja em casa.
Um Novo Modelo de Liderança
Para Maria Homem, a liderança é uma construção coletiva e que o líder deve estar aberto para aprender um novo mundo. É entender que o simples dá lugar ao complexo caótico, que o cognitivo não é mais suficiente e que a subjetividade precisa aparecer.
Um Novo Modelo de Liderança para um Novo Tempo
Segundo José Cláudio Securato, CEO da EXAME Educação e da Saint Paul, a tese de Maria Homem é um retrato do que se espera da alta gestão. Uma nova liderança é estar aberto para aprender um novo mundo. É entender que o simples dá lugar ao complexo caótico, que o cognitivo não é mais suficiente e que a subjetividade precisa aparecer, diz.
Repertório como Ferramenta de Decisão
Para Maria Silvia Monteiro Costa, diretora do SEER, programa da Saint Paul para CEOs, conselheiros e acionistas, a palestra refletiu temas trabalhados em sala, como poder, vulnerabilidade e tomada de decisão. No SEER, a gente busca a profundidade, a sofisticação de repertório. É por meio disso que conseguimos a autorreflexão necessária para uma liderança muito mais consciente, afirma.
Transformação do Líder
Luiz Ricardo, que começou o programa recentemente no curso SEER, conhecia pouco o trabalho da psicanalista antes do encontro. Saiu da noite pensando no efeito do líder sobre a permanência das equipes. A transformação do líder é muito importante para engajar, tornar o time mais sustentável e aumentar a longevidade da equipe, diz.
Conclusão
Para Maria Homem, liderar não é ocupar todos os espaços, é dar lugar. Essa é a mensagem central do livro Procura-se: uma nova liderança para um novo tempo, que busca inspirar uma nova geração de líderes para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.