Publicado em 19 de outubro de 2026
Em uma disputa acirrada, três jovens mulheres da região Norte estão concorrendo pelo título de melhor projeto de inovação no Prêmio Na Prática 2026.
### Os Finalistas #### A Inovação do Açaí Maria Paula Bastos, de 27 anos, é uma das finalistas do prêmio. Nascida em uma comunidade ribeirinha, ela sempre teve um interesse em economia e desenvolvimento sustentável. Após se formar em Economia na Universidade Federal do Pará, ela trabalhou em empresas como a Procter & Gamble e a Ambev antes de se dedicar a projetos sociais em comunidades amazônicas. Maria Paula é a fundadora da Uiro, uma startup que combina dados, inteligência artificial e conhecimento tradicional das comunidades para prever safras e medir mercados. O objetivo é diminuir a distância entre a produção de açaí na Amazônia e o consumo no Reino Unido, onde o produto pode ser vendido por 25 libras enquanto os produtores amazônicos recebem menos de uma libra. #### O Pote de Barro Contra a Seca Brenda Nascimento, de 21 anos, é outra finalista do prêmio. Ela vem de uma família de baixa renda e estuda Ciência da Computação no Centro Universitário do Pará. A ideia da Kitembu surgiu durante uma visita à Vila Jutaí, onde 120 famílias produtoras de cacau viam as safras ameaçadas pela seca. A Kitembu é uma iniciativa estudantil que usa potes de barro porosos e sensores conectados para irrigar as mudas. O sistema funciona sem internet, é alimentado por energia solar e orienta os produtores sobre o que fazer antes, durante e depois da estiagem. A estimativa é reduzir em mais de 90% o investimento em relação às soluções convencionais. #### A Tecnologia Social do Vidro Marcelly Câmara, de 30 anos, é a última finalista do prêmio. Ela é natural de Urucará e atua há seis anos no interior do Amazonas. É cofundadora do Coletivo Casa Verde Itinerante, criado em 2019 em Presidente Figueiredo, a 107 km de Manaus. No coletivo, Marcelly lidera o Vidros da Amazônia, que já reciclou mais de 27 mil garrafas, e o Cine Cult Social Itinerante, que leva cinema a comunidades rurais e ribeirinhas de difícil acesso. Ela entrou no curso de Agroecologia da Universidade do Estado do Amazonas para criar tecnologias baratas e adaptadas à região. ### O Prêmio Na Prática O Prêmio Na Prática é uma iniciativa da Fundação Estudar, criada em 2025. O objetivo é reconhecer estudantes que se destacam dentro e fora da sala de aula à frente de projetos com impacto econômico, social ou tecnológico. A segunda edição recebeu mais de 9 mil inscrições de todo o país. A seleção é feita por região, de acordo com o estado onde o candidato estuda. Cerca de 1, 6 mil inscritos passaram pela triagem inicial e 500 seguiram para entrevistas e testes de raciocínio lógico. Uma banca regional com 50 candidatos definiu os 15 finalistas, três por região. ### O Caminho para a Final As três finalistas chegaram à final pelo mesmo caminho: começaram pelo que viram de perto. Maria Paula viu a distância entre a produção de açaí na Amazônia e o consumo no Reino Unido. Brenda viu a seca ameaçar as safras de cacau. Marcelly viu o desperdício de vidro e decidiu fazer algo a respeito. Eles são exemplos de jovens que estão mudando o mundo com suas ideias e projetos inovadores. Eles são a prova de que, com dedicação e determinação, é possível fazer a diferença.