Conversas difíceis: por que acreditamos que não agradamos
Quando conversamos com alguém por alguns minutos, é comum achar que não causamos a impressão desejada. Esse fenômeno é conhecido como lacuna de simpatia, e pesquisas mostram que é mais comum entre as pessoas tímidas. A diferença entre o quanto alguém acredita ter agradado e o quanto de fato agradou é um fato interessante que merece ser explorado.
Um estudo revela a verdade sobre as conversas
Em 2018, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Essex, da Universidade de Yale e da Universidade de Harvard publicou um estudo na revista Psychological Science. Eles realizaram cinco experimentos com estudantes e adultos para entender melhor a lacuna de simpatia. No primeiro experimento, pares de desconhecidos conversaram por cerca de cinco minutos e depois avaliaram o quanto gostaram do parceiro e o quanto achavam que o parceiro tinha gostado deles.
Resultados surpreendentes
Os resultados mostraram que a simpatia real ficou em média em 5, 82 pontos, enquanto a percebida foi de 5, 17. Isso significa que as pessoas tendem a subestimar a impressão que causam. A explicação para isso está no que se passa na cabeça de quem conversa.
Autocrítica e lacuna
Os pesquisadores pediram que os participantes registrassem seus pensamentos logo depois do encontro. Os comentários sobre o próprio desempenho eram mais negativos do que os comentários sobre o parceiro, e essa autocrítica ajudava a explicar a lacuna. Segundo os autores, as pessoas costumam se cobrar mais do que cobram os outros e superestimam o quanto o nervosismo fica visível.
Quem sofre mais com a lacuna
Os pesquisadores também descobriram que a lacuna é maior entre as pessoas tímidas. No primeiro experimento, a lacuna entre os participantes mais tímidos foi de 1, 14 ponto, mais do que o dobro da média do grupo. Isso significa que as pessoas tímidas tendem a subestimar ainda mais a impressão que causam.
Consequências da lacuna
Em 2021, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard voltou a estudar o tema e descobriu que a lacuna também existe no ambiente de trabalho. A lacuna foi maior entre colegas do mesmo nível do que nas relações com chefes ou subordinados. E tem consequência prática. Quem achava que os colegas tinham uma impressão menos positiva a seu respeito estava menos disposto a pedir ajuda e a se comunicar com franqueza, e se sentia menos incluído na equipe.
Como diminuir a distância
Erica Boothby, uma das autoras do estudo, sugere três atitudes para diminuir a lacuna: lembrar que a lacuna existe, dar o primeiro passo e insistir no contato quando a resposta demora, e dizer ao outro que a conversa foi boa, porque ele provavelmente sentiu o mesmo.
Autoconhecimento e a lacuna
Perceber que a autocrítica distorce a leitura das próprias interações é um exercício de autoconhecimento. Ele ajuda a separar o que aconteceu de fato do que a cabeça conta depois. Conhecer os próprios padrões é fundamental para entender melhor as próprias interações e diminuir a lacuna.
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Na maioria das vezes, a conversa foi melhor do que pareceu de dentro. É importante lembrar disso e não deixar que a autocrítica distorça a leitura das próprias interações.