Empresas se Antecipam à Nova Escala Semanal
Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, o Brasil está prestes a mudar a sua legislação trabalhista. A nova escala semanal de 40 horas, sem redução salarial, está prestes a se tornar uma realidade. Mas, enquanto o país se prepara para a mudança, algumas empresas brasileiras já decidiram se antecipar.
Do Varejo ao Luxo: Quem Já Abandonou a Escala 6x1
Em diferentes setores, como o varejo, hotéis de luxo e tecnologia, empresas estão abandonando a tradicional escala 6x1, na qual o funcionário trabalha seis dias e descansa apenas um. Em seu lugar, estão surgindo modelos como o 5x2, com dois dias de descanso por semana, e até a escala 4x3, que prevê quatro dias de trabalho e três de folga.
Grupo DPSP: Uma Mudança Relevante no Varejo Farmacêutico
Em um setor conhecido pelas jornadas intensas e operações que funcionam durante toda a semana, o Grupo DPSP, dono das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, rompeu com o modelo tradicional ao adotar a escala 5x2 em todas as suas unidades. Dois dias de folga por semana passaram a fazer parte da rotina dos funcionários.
H&M: Uma Estreia com uma Decisão sobre a Jornada de Trabalho
A estreia da sueca H&M no Brasil, em agosto de 2025, também chegou acompanhada de uma decisão sobre a jornada de trabalho: todos os funcionários da operação brasileira trabalham na escala 5x2. Acreditamos no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Queremos inspirar outras empresas a oferecerem mais tempo de qualidade para seus funcionários, afirma Joaquim Pereira, presidente da H&M no Brasil.
Hotéis de Luxo: Uma Mudança que Representa um Investimento Anual Superior a R$ 2 Milhões
Em um setor tradicionalmente dependente de operações contínuas, dois hotéis de luxo decidiram reorganizar suas jornadas de trabalho. O Palácio Tangará, localizado na zona sul de São Paulo, anunciou a adoção da escala 5x2 para toda a operação, substituindo a antiga jornada 6x1. A mudança representa um investimento anual superior a R$ 2 milhões e veio acompanhada da contratação de 27 novos funcionários para manter o padrão de atendimento.
Além do 5x2: Empresas que Testam a Escala 4x3
Enquanto a nova legislação estabelece dois dias de descanso semanal, algumas companhias decidiram ir além e experimentar a escala 4x3, com quatro dias de trabalho e três de folga. Uma delas é a AngloGold Ashanti, mineradora com mais de 190 anos de atuação no Brasil.
AngloGold Ashanti: Um Projeto-Piloto com Cerca de 500 Funcionários Administrativos
A companhia iniciou um projeto-piloto com cerca de 500 funcionários administrativos em Minas Gerais, que passaram a experimentar a semana de quatro dias de trabalho, sem cortar salários e nem benefícios. Quando você pega uma empresa de mineração com 192 anos e pensa em uma escala 4x3 para o administrativo ou 4x4 para a operação, isso é totalmente fora da caixa. Somos uma startup de 192 anos, afirma Luiz Otávio de Lima, CEO da AngloGold Ashanti Latam.
Outras Empresas que Testam a Escala 4x3
Outras empresas que experimentam a escala 4x3 são a Vockan, empresa com operações no Brasil e nos Estados Unidos, e a Alimentare, especializada em refeições coletivas. Ambas relatam ganhos de produtividade e retenção, embora esses resultados ainda dependam de avaliação conforme o setor e o modelo adotado.
Um Movimento que Começou no TikTok e Chegou ao Congresso
A aprovação do fim da escala 6x1 no Senado também representa um novo capítulo de uma mobilização que ganhou força nas redes sociais. Em setembro de 2023, o então balconista de farmácia Rick Azevedo, morador do Rio de Janeiro, publicou um vídeo no TikTok relatando as dificuldades de conciliar a rotina de trabalho com a vida pessoal.
Um Vídeo que Viralizou e deu Origem ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT)
A gravação viralizou e deu origem ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que passou a pressionar por mudanças nas jornadas. Era o único dia da semana que eu tinha para viver. Para ir ao médico, arrumar a casa, ver o mar, diz Rick.
Conclusão
A aprovação do fim da escala 6x1 no Senado representa um novo capítulo em uma transformação que já estava em curso em parte do mercado de trabalho brasileiro. Para as companhias que já adotaram jornadas mais flexíveis, a experiência pode servir como referência para outras organizações que precisarão reorganizar escalas, equipes e custos nos próximos meses.