RH menos especialista em pessoas mais líder

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Publicado em 28 de setembro de 2026

O líder de Recursos Humanos conquistou um espaço cada vez mais relevante nas grandes empresas, mas ainda enfrenta desafios para consolidar essa posição no longo prazo. Essa é a principal constatação da primeira edição da pesquisa O Perfil do CHRO no Brasil 2026, realizada pela Myndz Expert Recruitment em parceria com a Fundação Dom Cabral. O estudo ouviu 65 CHROs, sigla em inglês para Chief Human Resources Officer, e analisou líderes de empresas com faturamento acima de 1 bilhão de reais, presentes no ranking Melhores e Maiores 2025, da EXAME.

Desenvolvimento do Papel do RH

A pesquisa mostra um contraste entre a percepção dos executivos sobre o espaço do RH dentro das empresas e a capacidade das áreas de pessoas de acompanhar as próximas demandas. Enquanto 87, 5% dos CHROs afirmam que o CEO reconhece o RH como parceiro estratégico, 61, 5% dizem que o modelo atual da área está preparado para sustentar a estratégia futura da companhia. Mylena Cuenca, sócia-fundadora da Myndz, destaca que o RH conquistou espaço e reconhecimento, mas ainda precisa construir a musculatura necessária para sustentar esse protagonismo no futuro.

Perfil do CHRO Brasileiro

O executivo que ocupa a principal cadeira de Recursos Humanos nas grandes empresas brasileiras tem, em média, 49, 5 anos e acumula 11, 8 anos na função. A maioria está concentrada entre 45 e 54 anos, faixa que reúne 53, 1% dos participantes. A presença de homens e mulheres aparece próxima do equilíbrio, com mulheres representando 46, 2% da amostra e homens, 53, 8%. No entanto, o dado contrasta com a composição racial dos executivos, com 86, 2% se autodeclaram brancos, 12, 3% pardos e 1, 5% pretos.

Desafios e Oportunidades

A pesquisa aponta desafios em sucessão, uso de inteligência artificial e formação de novas lideranças de RH. Além disso, 66, 2% dos CHROs chegaram à posição atual por contratação externa, enquanto 32, 3% foram promovidos internamente. Apenas 33, 8% dos CHROs afirmam ter um sucessor interno pronto para assumir imediatamente a posição, com 47, 7% citando lacunas em habilidades comportamentais como motivo para a falta de sucessores.

Inteligência Artificial e Análise de Dados

A inteligência artificial aparece como um dos principais temas para os CHROs em 2026, com 80% dos executivos considerando o uso da tecnologia e a automação do trabalho como prioridade. No entanto, apenas 29, 2% afirmam que suas organizações possuem iniciativas estruturadas para desenvolver análise crítica de dados entre as lideranças. Além disso, 66, 2% dos executivos apontam tecnologia, dados e people analytics como temas importantes para o futuro do RH, mas apenas 18, 5% colocam análise de dados como prioridade imediata para 2026.

Novo Papel do RH

A pesquisa mostra que os CHROs passaram a atuar em uma agenda mais próxima do negócio, com 24, 6% dos executivos citando a condução de transformações com velocidade como um dos principais desafios. Planejamento da força de trabalho aparece com 15, 4%, e a conexão entre pessoas e resultados financeiros, com 13, 9%. No entanto, apenas 12, 3% dos CHROs consideram a área de Finanças ou o CFO como principal interface diária.

Perspectivas Futuras

A pesquisa funciona como uma fotografia do momento atual da liderança de RH no país, e a Myndz pretende repetir o levantamento para acompanhar como o perfil do CHRO muda ao longo dos anos. Mylena Cuenca destaca que o objetivo é entender o que efetivamente mudou nas próximas edições, se aumentou a prontidão do RH, se avançamos em sucessão, se a inteligência artificial deixou de ser uma competência individual e passou a fazer parte da capacidade das empresas.

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