Líderes bons profissionais podem cometer erros

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Publicado em 28 de setembro de 2026

Atingir um cargo de liderança é frequentemente visto como o resultado de um desempenho notável. No entanto, dominar a parte técnica de uma função não garante, necessariamente, a capacidade de gerenciar equipes de forma eficaz. A Furman University, nos Estados Unidos, destaca essa discrepância ao mostrar como profissionais podem assumir posições de liderança sem ter desenvolvido as competências essenciais para conduzir equipes com sucesso. Nesse contexto, o autoconhecimento adquire um peso profissional significativo, pois antes de liderar os outros, é fundamental que o profissional compreenda seus próprios valores, padrões de comportamento, pontos fortes e limitações.

Desenvolvendo Competências de Liderança

A promoção a um cargo de liderança não transforma automaticamente alguém em um líder eficaz. A lógica é simples: muitas pessoas são promovidas devido aos seus bons resultados, domínio de processos ou conhecimento técnico acima da média. No entanto, o problema surge quando o novo cargo exige habilidades diferentes, como liderar e gerenciar pessoas. Franklin Ellis, professor de liderança transformacional, resume essa mudança afirmando que a dificuldade maior não está necessariamente no trabalho em si, mas em liderar e gerenciar equipes. A partir daí, habilidades que antes podiam parecer secundárias passam a ocupar o centro da função, como ouvir, dar feedback, lidar com conflitos, construir confiança e compreender como o próprio comportamento afeta uma equipe.

Autoconsciência: Uma Competência Valorizada

A discussão sobre a importância do autoconhecimento não está restrita às salas de aula. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, mostra que liderança e influência social são consideradas competências centrais por 61% dos empregadores pesquisados. Motivação e autoconsciência aparecem logo depois, citadas por 52%. O relatório ouviu mais de mil grandes empregadores, responsáveis por mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias. A conclusão é que habilidades humanas continuam relevantes mesmo em um cenário de avanço acelerado da inteligência artificial e da automação.

Autoconhecimento e Liderança

Conhecer a própria forma de agir deixou de ser uma reflexão exclusivamente pessoal e passou a ter implicações profissionais claras. Conhecer os próprios padrões ajuda a liderar melhor, pois envolve reconhecer padrões, como reagir quando alguém discorda de uma decisão, o que acontece quando se recebe uma crítica, quais situações despertam insegurança, em que tipo de ambiente se trabalha melhor e o que se costuma fazer quando está sob pressão. Essas respostas influenciam diretamente a forma como um profissional lidera. A Harvard Business Review também destaca a autoconsciência como elemento relevante para a liderança, justamente porque gestores precisam compreender o impacto que suas atitudes produzem nos outros e agir de forma coerente com aquilo que defendem.

Estilo de Liderança e Autoconhecimento

Liderar não significa adotar um personagem. Outro ponto abordado pela Furman é a importância de compreender o próprio estilo de liderança. O objetivo não é encontrar um rótulo definitivo, mas entender quais comportamentos surgem naturalmente e quais precisam ser desenvolvidos. Essa visão evita um problema comum: tentar reproduzir o estilo de gestores admirados sem considerar diferenças de personalidade, contexto e equipe. Uma liderança mais consciente nasce menos da tentativa de imitar alguém e mais da capacidade de entender como suas próprias características afetam outras pessoas.

Autoconhecimento para Todos

Essa reflexão não serve apenas para quem já ocupa um cargo de gestão. Profissionais no início da carreira também exercem influência em projetos, trabalhos em grupo, organizações estudantis e relações com colegas. Por isso, desenvolver autoconhecimento cedo pode ajudar a construir habilidades que ganham importância conforme a carreira avança, como comunicação, tomada de decisão, gestão de conflitos e capacidade de trabalhar com pessoas diferentes. Autoconhecimento é o ponto de partida para qualquer mudança real, permitindo que os profissionais aprendam a reconhecer seus padrões, ressignificar experiências e transformar reflexão em ação, tanto dentro quanto fora do trabalho.

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