Pesquisador de Stanford quer mudar crença nas exat

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Publicado em 28 de setembro de 2026

O desempenho dos estudantes brasileiros em matemática é um tema que tem gerado grande preocupação nos últimos anos. De acordo com os dados do Pisa 2025, divulgados pela OCDE em 8 de setembro, sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos não conseguem reconhecer como uma situação simples do dia a dia pode ser representada matematicamente. Isso é um indicador claro de que algo precisa ser feito para melhorar a forma como a matemática é ensinada no país.

Uma Nova Abordagem para o Ensino de Matemática

Para o americano Jack Dieckmann, diretor de pesquisa do Youcubed, centro da Universidade Stanford, parte do problema está na forma como a disciplina chega ao aluno. Ele defende que a matemática deve ser ensinada de uma forma mais aberta, criativa e equitativa, permitindo que os alunos sejam mais envolvidos e motivados. Essa abordagem é conhecida como Mentalidades Matemáticas e foi criada por Jo Boaler, professora de educação matemática em Stanford e cofundadora do Youcubed.

A Abordagem Mentalidades Matemáticas

A abordagem Mentalidades Matemáticas reúne o que há de mais recente em neurociência, psicologia e pesquisa sobre o ensino da matemática. Ela se baseia em problemas abertos, resolvidos em grupo, que admitem mais de um caminho. O erro passa a fazer parte do aprendizado, e a velocidade deixa de medir quem é bom em matemática. Essa abordagem tem como objetivo mudar a forma como os alunos pensam sobre a matemática, tornando-a mais atraente e desafiadora.

Os participantes do evento organizado pelo programa Mentalidades Matemáticas, do Instituto Sidarta, parceiro do Youcubed há dez anos, tiveram a oportunidade de experimentar essa abordagem na prática. Eles resolveram uma atividade voltada a fluência, senso e flexibilidade numérica, ou seja, a capacidade de lidar com os números de mais de uma forma. A ideia é mostrar como a resolução de problemas pode entrar numa atividade mais dinâmica e investigativa dentro da sala de aula.

Resultados Comprovados

O Instituto Sidarta aplica a abordagem no Brasil desde 2016 e já obteve resultados comprovados. Em um curso de férias com alunos da rede municipal de Cotia, na Grande São Paulo, em janeiro de 2020, os estudantes avaliados antes e depois avançaram o equivalente a um ano e três meses de escolaridade em matemática, com base na avaliação americana MARS. Além disso, o programa já formou mais de 11 mil professores e chegou a mais de 1 milhão de estudantes em cidades como São Paulo, Cotia (SP), Altamira (PA), Santana do Ipanema (AL) e Vespasiano (MG).

Desafios e Críticas

No entanto, a abordagem Mentalidades Matemáticas não está isenta de críticas. Alguns estudos questionam a eficácia da abordagem, argumentando que ela pode ter efeitos pequenos sobre o desempenho escolar. No entanto, o Instituto Sidarta defende que a abordagem é mais ampla do que uma mensagem motivacional, mexendo no tipo de tarefa, na forma de avaliar e na formação do professor.

O Brasil está 86 pontos abaixo da média da OCDE no Pisa. Na sala da Consolação, os professores saíram com uma hipótese para parte dessa distância: o medo de errar. A abordagem Mentalidades Matemáticas pode ser uma forma de mudar essa realidade, tornando a matemática mais atraente e desafiadora para os alunos.

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